A securitização é hoje uma das principais estratégias de expansão para empresas de crédito no Brasil. O modelo permite escala operacional, diversificação de funding e acesso ao mercado de capitais. Porém, esse crescimento exige um nível mais alto de governança, transparência e controle regulatório, por isso a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se torna determinante.
Compreender a relação entre a CVM e o segmento de securitização de ativos empresariais é estratégico para os empresários que operam com fomento comercial e buscam escala. A atuação do órgão impacta diretamente a credibilidade da operação, a proteção de investidores e a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
Mais do que um órgão fiscalizador, a CVM atua como mecanismo de estabilidade do mercado, definindo padrões que reduzem riscos sistêmicos e aumentam a confiança nas operações financeiras.
Neste artigo, você entenderá como funciona a regulação, quando ela se aplica, quais obrigações impactam a securitizadora e como estruturar compliance desde o início.
Continue a leitura para ver:
- O que é a CVM e qual sua função?
- A CVM regula securitizadoras diretamente?
- Qual a relação entre securitização e mercado de capitais
- Debêntures, investidores e governança
- Obrigações regulatórias da securitizadora
- Riscos regulatórios e impactos no negócio
- Como estruturar compliance desde o início
O que é a CVM e qual sua função?
A CVM é a autoridade responsável por regular o mercado de capitais brasileiro, assegurando transparência, eficiência e proteção aos investidores.
A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia federal criada pela Lei nº 6.385/1976 com o objetivo de disciplinar, normatizar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários no Brasil.
Sua atuação se concentra principalmente em três pilares: proteção do investidor, eficiência do mercado de capitais e transparência das operações financeiras.
Para isso, a CVM estabelece normas sobre emissão de valores mobiliários, divulgação de informações financeiras, governança corporativa, ofertas públicas e conduta de participantes do mercado.
No contexto da securitização, sua função é garantir que operações que envolvam captação de recursos junto a terceiros apresentem:
- Clareza sobre riscos envolvidos;
- Informações padronizadas e auditáveis;
- Rastreabilidade dos ativos lastro;
- Governança adequada;
- Mecanismos de prestação de contas.
Isso cria um ambiente mais seguro para investidores e aumenta a credibilidade das estruturas de securitização.
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A CVM regula securitizadoras diretamente?
A CVM não regula todas as securitizadoras como empresa, mas regula as operações, instrumentos financeiros e ofertas vinculadas à securitização.
A constituição societária da securitizadora não depende diretamente da CVM. No entanto, a partir do momento em que a empresa acessa o mercado de capitais ou distribui valores mobiliários, suas operações passam a se submeter às normas do órgão.
A regulação incide principalmente sobre:
- Emissão pública de títulos;
- Distribuição de valores mobiliários a investidores;
- Ofertas públicas ou restritas;
- Prestação de informações periódicas;
- Estrutura de governança e controles.
Isso significa que o nível de supervisão depende do modelo de funding adotado.
Exemplo prático
Uma securitizadora que opera apenas com capital próprio possui obrigações diferentes de outra que emite debêntures ou certificados para investidores. Quanto maior a captação externa, maior o nível de exigência regulatória.
Esse aspecto torna a definição do modelo operacional uma decisão estratégica, com impactos diretos em custos, estrutura e governança.
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Qual a relação entre securitização e mercado de capitais
A securitização conecta ativos financeiros ao mercado de capitais, transformando recebíveis em instrumentos de investimento negociáveis.
A securitização consiste na conversão de ativos financeiros, como duplicatas, contratos ou recebíveis comerciais, em títulos lastreados nesses direitos creditórios. Esses títulos podem ser adquiridos por investidores, permitindo que a empresa antecipe recursos e amplie sua capacidade operacional.
Essa dinâmica gera benefícios como o acesso a novas fontes de capital, a escalabilidade da operação, a previsibilidade financeira e a diversificação de risco.
No entanto, ao acessar o mercado de capitais, a securitizadora passa a operar em um ambiente de maior exigência regulatória.
Essa dinâmica exige:
- Transparência na estrutura dos ativos;
- Padronização de processos;
- Rigor nos controles contábeis;
- Governança robusta;
- Gestão estruturada de riscos.
Empresas com baixa maturidade operacional enfrentam dificuldades para cumprir essas exigências, comprometendo a continuidade da operação.
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Debêntures, investidores e governança
A emissão de debêntures e demais valores mobiliários exige alto nível de governança, transparência e controle operacional.
As debêntures figuram como um dos principais instrumentos utilizados por essas companhias para a captação de recursos junto a investidores institucionais ou qualificados.
Ao emitir esses títulos, a empresa assume diversas obrigações, incluindo a divulgação periódica de informações financeiras, o detalhamento do lastro das operações, transparência sobre riscos de crédito, gestão estruturada dos ativos securitizados e a prestação de contas aos investidores. Por isso, a governança passa a ser um requisito operacional, não apenas uma boa prática.
Isso exige processos estruturados para controle de contratos, rastreabilidade dos recebíveis, cálculo de remuneração e fluxo financeiro, organização de documentação e auditoria das operações.
Operações com processos manuais ou desorganizados apresentam maior risco de inconsistência, penalidades regulatórias e perda de credibilidade.
Obrigações regulatórias da securitizadora
Mesmo quando não há supervisão direta da empresa, diversas normas impactam sua operação e exigem estrutura de compliance.
A regulação das securitizadoras envolve um conjunto de obrigações que afetam a gestão operacional, contábil e financeira. Entre os principais requisitos estão:
- Registro e divulgação de informações ao mercado;
- Segregação patrimonial entre ativos;
- Documentação formal das operações;
- Controles contábeis auditáveis;
- Prestação periódica de informações;
- Rastreabilidade dos direitos creditórios.
Essas exigências demandam organização e padronização de processos internos. Sem estrutura adequada, a empresa pode enfrentar inconsistências em relatórios, riscos jurídicos, dificuldade de auditoria, perda de confiança de investidores e barreiras para crescimento. Por isso, o compliance passa a ser um elemento central da estratégia de negócio.
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Riscos regulatórios e impactos no negócio
Falhas de conformidade podem gerar sanções, danos reputacionais e inviabilizar o crescimento da securitizadora.
Os riscos regulatórios não se limitam a penalidades legais. Eles afetam diretamente a sustentabilidade da operação. Entre os principais impactos estão:
- Multas e sanções administrativas;
- Restrições operacionais;
- Perda de investidores;
- Questionamentos jurídicos;
- Danos à reputação;
- Aumento do custo de captação.
Empresas com processos estruturados conseguem reduzir significativamente esses riscos e fortalecer sua posição competitiva. A maturidade regulatória torna-se um diferencial estratégico no mercado.
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Como estruturar compliance desde o início
Estruturar governança, processos e tecnologia desde o início reduz riscos regulatórios, aumenta a confiança dos investidores e prepara a securitizadora para crescer com segurança e escala.
Ao contrário do que muitos imaginam, compliance não é apenas uma exigência regulatória, é um fator estratégico que impacta diretamente a credibilidade, a capacidade de captação e a sustentabilidade da operação no longo prazo.
A construção de uma securitizadora sólida envolve três pilares fundamentais.
Estrutura jurídica e regulatória
O primeiro passo é definir corretamente o modelo societário, a estrutura de captação e o enquadramento regulatório da operação.
Isso inclui:
- Definição do regime operacional e tributário;
- Estruturação dos contratos de cessão de crédito;
- Modelagem das emissões de valores mobiliários quando aplicável;
- Atendimento às normas da CVM e demais órgãos reguladores;
- Acompanhamento contínuo das mudanças regulatórias.
Erros nessa etapa podem gerar grandes riscos jurídicos, questionamentos regulatórios e até inviabilizar operações futuras. Por isso, é comum que empresas iniciem com apoio jurídico e contábil especializado, garantindo segurança desde a estrutura inicial.
Governança e controles internos
A governança define como as decisões são tomadas, monitoradas e auditadas dentro da securitizadora.
Na prática, isso significa criar processos claros e padronizados para:
- Validação e análise dos ativos adquiridos;
- Formalização e armazenamento de contratos;
- Segregação de funções e responsabilidades;
- Monitoramento de riscos operacionais e financeiros;
- Registro e rastreabilidade de todas as operações;
- Auditoria e revisão periódica dos processos.
Uma governança bem estruturada reduz falhas operacionais, aumenta a transparência para investidores e facilita auditorias, além de fortalecer a reputação da empresa no mercado.
Empresas que negligenciam essa etapa tendem a enfrentar dificuldades de escala, inconsistências operacionais e maior exposição a riscos regulatórios.
Tecnologia especializada como base do compliance
A tecnologia funciona como a fundação operacional da governança e do compliance. Sistemas especializados para securitizadoras, como o DISECURIT e o NEXSECURIT, permitem:
- Rastreabilidade completa das operações;
- Controle centralizado de contratos e ativos;
- Automação de cálculos financeiros;
- Geração de relatórios gerenciais e regulatórios;
- Padronização de processos operacionais;
- Segurança e integridade das informações.
Sem ferramentas adequadas, controles acabam sendo feitos manualmente, aumentando riscos de erro, inconsistências e falhas de conformidade.
A tecnologia não substitui a estratégia regulatória ou a governança, mas viabiliza sua execução com eficiência, precisão e escalabilidade. Ela reduz a dependência de controles informais e cria um ambiente operacional mais seguro.
Embora softwares de gestão sejam essenciais para o controle e conformidade, eles não operam a concessão de crédito ou garantem rentabilidade financeira, atuando como instrumentos de organização, controle e conformidade operacional que contribuem para uma estrutura mais robusta e alinhada às exigências do mercado.
FAQ: dúvidas frequentes sobre CVM e securitizadoras
A securitizadora precisa de autorização da CVM para operar?
Depende do modelo. Se a securitizadora de ativos empresariais operar exclusivamente com capital próprio ou através de colocações privadas de debêntures (comum na migração do fomento), ela não precisa de autorização prévia da CVM. A obrigatoriedade surge no momento em que a empresa decide captar recursos publicamente no mercado de capitais.
Qual é o papel da CVM nas securitizadoras?
Regular emissões de títulos, proteger investidores e fiscalizar operações relacionadas ao mercado de capitais.
Toda securitização envolve regulação da CVM?
Não necessariamente. A regulação incide sobre o instrumento de captação (como as debêntures públicas). Se a operação for estritamente privada, o foco regulatório é menor, mas as boas práticas de governança da CVM ainda servem como o “padrão ouro” para mitigar riscos jurídicos.
Quais são os principais riscos regulatórios?
Falhas de governança, inconsistência de informações, descumprimento de normas e ausência de controles operacionais.
Como reduzir riscos regulatórios?
Estruturando governança desde o início, mantendo controles auditáveis e utilizando sistemas especializados de gestão.
O papel da CVM na sustentabilidade das securitizadoras
A relação entre CVM e securitizadoras está diretamente ligada à credibilidade e sustentabilidade das operações de securitização. Embora a CVM não regule todas as securitizadoras como empresa, sua atuação impacta emissões, captação de recursos e relacionamento com investidores.
Empresas que compreendem as exigências regulatórias e estruturam governança desde o início conseguem reduzir riscos, fortalecer sua reputação e expandir com maior segurança.
A maturidade operacional, aliada a processos estruturados e tecnologia adequada, permite transformar a compliance em vantagem competitiva.
A Decisão Sistemas oferece soluções tecnológicas para quem precisa operar securitizadoras com segurança, clareza e escala, sempre respeitando os limites do fomento mercantil e as boas práticas do mercado.
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Almir Firmino é sócio fundador da Decisão Sistemas, empresa especializada em desenvolvimento de softwares para gestão de operações de crédito para os segmentos de Factoring, Securitizadoras e Empresas Simples de Crédito (ESC), aplicando as melhores técnicas e processos disponíveis em tecnologia da informação.



