Deságio: o que é, importância, exemplo e como calcular

Lidar com o mercado financeiro, não é uma tarefa fácil. Para começar e ser bem-sucedido, é preciso primeiro entender a fundo os termos e conceitos que permeiam a área. E um dos principais é o deságio.

O deságio está ligado às oscilações do mercado e, como tal, é essencial entender o que é e como calculá-lo. Para te ajudar, preparamos este post explicando em termos simples as principais informações sobre o conceito.

Continue a leitura e acompanhe em detalhes:

  • O que é deságio?
  • Qual a diferença entre ágio e deságio?
  • Exemplo de deságio
  • Qual a sua importância?
  • Como calcular o deságio?
  • O deságio no cenário das securitizadoras e factorings
  • FAQ: dúvidas frequentes
  • Considerações finais

Resumo

  • O deságio representa a diferença negativa entre o valor nominal de um ativo e o preço pelo qual ele é efetivamente negociado no mercado. Ele se opõe ao ágio, que ocorre quando o título é vendido acima do valor nominal, e difere do “ao par”, situação em que o preço é exatamente igual;
  • A relevância do deságio está em servir como estratégia para comprar ativos na baixa e lucrar na alta, além de ser um sinalizador de riscos contra desvalorizações severas. Compreender esse indicador é indispensável para dezenas de milhões de brasileiros expostos à renda fixa e variável, ajudando a mitigar perdas reais causadas pela marcação a mercado ou por vendas antecipadas de títulos públicos em momentos de estresse econômico;
  • O cálculo do deságio varia de acordo com a classe do ativo. Para ações, utiliza-se a relação entre o preço atual e o VPA, onde um resultado menor que 1 indica deságio. Na renda fixa, a mensuração em reais é feita pela fórmula de valor presente: VP = P / (1 + taxa)^(prazo / período da taxa), em que o valor presente (VP) é obtido dividindo o principal (P) pela taxa de juros elevada à fração do período;
  • No ecossistema de securitizadoras e empresas de factoring, o deságio atua como ferramenta central de precificação e receita operacional. Ele funciona como uma margem de segurança para absorver riscos de inadimplência e cobrir o custo de oportunidade do capital ao antecipar recebíveis, sendo calibrado com base no prazo e no histórico de crédito dos envolvidos.

O que é deságio?

O deságio financeiro representa a diferença entre o valor nominal de um ativo e o valor pelo qual ele é efetivamente comprado ou vendido. No deságio, o título é negociado por um valor menor do que o nominal.

Para entender melhor, imagine um título de renda fixa emitido com valor de R$ 100 (valor nominal) e vencimento para daqui a 1 ano. Antes do vencimento, esse título pode ser comercializado no mercado financeiro, o que faz com que seu preço oscile de acordo com a lei da oferta e demanda.

Se o valor desse título cair para abaixo de R$ 100, ele será negociado com deságio, ou seja, você paga a menos em relação ao valor nominal.

O deságio pode acontecer tanto na compra de ações na bolsa de valores, quanto na compra de títulos e outros ativos de renda fixa. Um terceiro caso acontece na aquisição de participações societárias, quando há excedente dos ativos líquidos da participação adquirida, em relação ao custo de aquisição.

Qual a diferença entre ágio e deságio?

O ágio é o cenário oposto do deságio: acontece quando o ativo é negociado por um valor maior do que o seu valor nominal.

Voltando ao mesmo exemplo, se o título de valor nominal R$ 100 passar a ser negociado por um valor acima de R$ 100, ele estará sendo negociado com ágio, isto é, você paga a mais em relação ao valor nominal.

Em outras palavras, deságio e ágio são justamente o que se paga a menos ou a mais pelo título quando comparamos o preço de negociação com o seu valor nominal.

Além desses dois conceitos, ainda existe o “ao par”, que ocorre quando o preço de compra ou resgate do ativo é exatamente igual ao seu valor nominal.

– Entenda mais: Qual a diferença entre ágio e deságio?

Exemplo de deságio

Para ilustrar na prática, vamos usar um exemplo mais completo. Imagine que uma empresa emite uma Letra de Crédito Imobiliário (LCI) com valor nominal de R$ 1.000 e vencimento em 6 meses.

Por algum motivo, o detentor desse título precisa se desfazer dele antes do prazo. Para isso, ele o coloca à venda no mercado secundário. Como há poucos compradores interessados naquele momento, o título passa a ser negociado por R$ 920.

Nesse cenário, o título está sendo comercializado com deságio de R$ 80, ou seja, 8% abaixo do valor nominal.

Para o comprador, isso representa uma oportunidade: ele desembolsa R$ 920 e, no vencimento, receberá os R$ 1.000 originais, garantindo um retorno de R$ 80 no período, sem precisar ter aplicado desde o início.

Já para quem vendeu, o deságio representou uma perda: precisou abrir mão de parte do rendimento para se desfazer do título antes da hora.

Esse mesmo raciocínio se aplica às ações. Se uma empresa tem um Valor Patrimonial por Ação (VPA) de R$ 50, mas suas ações estão sendo negociadas na bolsa por R$ 40, a relação Preço/VPA é de 0,8, abaixo de 1, o que indica que o papel está com deságio de 20% em relação ao seu valor patrimonial.

Qual a sua importância?

Saber o significado de deságio é importante por dois motivos: primeiro, pode servir como estratégia de investimento; segundo, para evitar que haja perdas durante suas operações.

Em relação ao primeiro ponto, os ganhos no mercado financeiro se baseiam em uma máxima: comprar na baixa e vender na alta. Em outras palavras, o lucro do investidor está justamente em pagar um valor menor por um título e vendê-lo por um valor maior.

Um exemplo concreto disso aconteceu no Ibovespa: em 2024, o índice acumulou queda de 10,36%, o pior desempenho em três anos, segundo a Quantum Finance, criando uma janela de deságio para quem comprou ações durante a baixa. No ano anterior, em 2023, o mesmo índice havia se valorizado 22,28%, superando inclusive o CDI, que rendeu 13% no período. O conceito, portanto, é uma ferramenta que o investidor pode utilizar a seu favor para buscar ganhos.

Em relação ao segundo ponto, o deságio pode tanto representar um desconto no valor nominal quanto uma desvalorização no preço do ativo. Isso significa que o investidor deve estar atento às tendências de mercado, uma vez que, caso o deságio represente uma desvalorização, o valor do título pode cair ainda mais e causar prejuízos à sua carteira.

Por exemplo, investidores que venderam títulos do Tesouro IPCA+ antes do vencimento em 2024 registraram prejuízo de até 13%, segundo levantamento do InfoMoney, resultado direto do deságio aplicado pela marcação a mercado. Até o Tesouro Selic, considerado o título público mais conservador do país, chegou a registrar desvalorização de 0,46% em setembro de 2020, algo inédito desde 2002, conforme apurado pelo InfoMoney.

Isso é especialmente importante no mercado de ações. Enquanto o deságio também pode acontecer com títulos de renda fixa, como mostramos no exemplo acima, ele é mais comum na bolsa de valores, onde os valores das ações das empresas com mercado aberto sofrem oscilações constantes.

Para se ter a dimensão do tema: ao final de 2024, a B3 registrava 5,3 milhões de investidores em renda variável, crescimento de 6% em relação ao ano anterior, segundo dados da própria B3 divulgados pela CNN Brasil. No segmento de renda fixa, o número havia chegado a 17,1 milhões de investidores ao fim de 2023, alta de 15% em 12 meses, conforme levantamento da própria B3. Ou seja, dezenas de milhões de brasileiros estão diretamente expostos às consequências do deságio em suas carteiras.

Nestes cenários, é importante saber como calcular o deságio. O cálculo será a ferramenta que dirá ao investidor quando o deságio é vantajoso e quando não é. Mas como esse cálculo é realizado?

Como calcular o deságio?

Ilustração mostrando como calcular deságio com formula matemática e representação de valores
Calcular o deságio é essencial para avaliar o custo real de um investimento ou crédito | Imagem por Magnific/chepko

Existem duas formas de calcular.

Primeiro, para títulos de renda fixa, é utiliza a fórmula abaixo:

VP = P / (1+taxa) (prazo / período da taxa), onde:

  • VP é o valor presente do recebível líquido de juros;
  • P é o principal, valor do recebível (também conhecido como valor de face);
  • Taxa é a taxa de juros expressa ao mês ou ao ano, por dias corridos ou úteis;
  • Período da taxa é o número de dias que a taxa é expressa podendo ser 21 dias úteis ou 30 dias corridos para taxa de mês ou 252 dias úteis ou 360 dias corridos para taxa de ano.

Este cálculo resultará em um valor em reais, que pode ser positivo (deságio) ou negativo (ágio).

Já para ações, a fórmula utilizada é um pouco mais simples, e consiste em:

Deságio = Preço por ação / VPA, onde:

  • VPA é o Valor Patrimonial da Ação.

Um resultado menor que 1, representa que o preço de mercado da ação está com deságio. Já um resultado do cálculo igual a 1, o preço de mercado é equivalente ao preço nominal. Caso seja maior que 1, ação está com ágio, ou seja, supervalorizada.

Em geral, especialmente para os títulos de renda fixa, o cálculo é um pouco complexo. Por esse motivo, corretoras de valores realizam análises do tipo diariamente e publicam relatórios com os valores do cálculo, que o investidor pode consultar antes de tomar suas decisões de investimento.

O deságio no cenário das securitizadoras e factorings

No dia a dia das securitizadoras e empresas de factoring, o deságio é muito mais do que um simples desconto. Ele é a ferramenta central para definir o preço da operação, proteger o caixa contra riscos e garantir o lucro do negócio.

Para securitizadoras: proteção e retorno ajustado

Nas operações com títulos de crédito, o deságio funciona como uma margem de segurança. Ao adquirir um título por um valor abaixo do nominal, a securitizadora cria um “colchão” contra eventuais atrasos ou inadimplência.

Na prática, o deságio permite ajustar o preço pago de acordo com o risco do ativo: quanto maior o risco ou o prazo para receber, maior será o deságio aplicado para garantir que a rentabilidade da operação valha a pena.

– Entenda mais: Entendendo o deságio no cenário das securitizadoras

Para factorings: receita e competitividade

Para as empresas de factoring, o deságio é a principal fonte de ganho ao antecipar recebíveis. É aqui que mora o desafio do negócio: definir uma taxa que seja suficiente para cobrir o custo do dinheiro e o risco da operação, mas que ainda seja atrativa para o cliente.

Para chegar nesse equilíbrio, a factoring avalia critérios como o histórico do sacado (quem vai pagar o título), o prazo médio e o volume de operações do cedente. Usar tabelas dinâmicas e critérios claros de análise ajuda a manter o negócio competitivo sem comprometer a saúde financeira da empresa.

– Saiba mais: Como otimizar o deságio na factoring?

FAQ: dúvidas frequentes

Separamos a seguir as principais dúvidas sobre deságio. Confira!

O que é deságio?

Nas operações financeiras, representa a diferença entre o valor nominal de um ativo e o valor pelo qual ele é efetivamente comprado ou vendido, acontecendo quando o título é negociado por um valor menor do que o nominal, geralmente por causa das oscilações de preço no mercado conforme oferta e demanda.

Qual o sinônimo de deságio?

No mercado financeiro, deságio é frequentemente chamado de desconto, abatimento ou deságio de preço. Em operações de antecipação de recebíveis, como nas factorings, o termo “taxa de desconto” é o mais usado na prática para se referir ao mesmo conceito.

Qual a diferença entre ágio e deságio?

Deságio e ágio indicam quanto se paga a menos ou a mais em relação ao valor nominal: há deságio quando o ativo é negociado abaixo do nominal (você paga menos) e há ágio quando ele é negociado acima do nominal (você paga mais), sendo cenários opostos.

O que é percentual de deságio?

É a forma de expressar o deságio em porcentagem, em vez de valor absoluto em reais. Ele indica quanto o ativo está sendo negociado abaixo do seu valor nominal. Por exemplo, se um título de R$ 1.000 é vendido por R$ 900, o percentual de deságio é de 10%. Essa forma de leitura facilita a comparação entre operações de valores e prazos diferentes.

O que é deságio de 20%?

Significa que o ativo está sendo negociado 20% abaixo do seu valor nominal. Na prática, um título com valor de face de R$ 1.000 seria comprado por R$ 800. Esse percentual costuma indicar um risco mais elevado ou um prazo mais longo na operação, já que o deságio tende a crescer conforme o risco ou o tempo até o vencimento aumentam.

O que é deságio de 40%?

Representa uma negociação em que o ativo é adquirido por 40% abaixo do seu valor nominal, ou seja, um título de R$ 1.000 seria comprado por R$ 600. Deságios nesse patamar são considerados elevados e geralmente refletem ativos com alto risco de inadimplência, prazo muito longo ou baixa liquidez no mercado.

O que é deságio a amortizar?

Deságio a amortizar é o deságio registrado na aquisição de um título por valor inferior ao nominal que ainda não foi apropriado ao resultado e, por isso, é reconhecido ao longo do tempo da operação, sendo “amortizado” conforme o prazo passa até o vencimento e o retorno é realizado.

Como calcular o deságio?

Ele pode ser calculado de duas formas: em títulos de renda fixa, usa-se o valor presente pela fórmula VP = P / (1+taxa)^(prazo/período da taxa), em que VP é o valor presente, P é o principal (valor de face), e a taxa e os períodos seguem a forma de expressão (mês/ano, dias úteis/corridos), e o resultado pode indicar deságio (positivo) ou ágio (negativo); já em ações, usa-se Deságio = Preço por ação / VPA, em que resultado menor que 1 indica deságio, igual a 1 indica equivalência ao nominal e maior que 1 indica ágio (supervalorização).

Considerações finais

Como vimos, o deságio não é apenas um conceito técnico, mas o coração da rentabilidade e da segurança em operações de crédito. Seja para garantir uma margem de proteção em uma securitizadora ou para equilibrar a competitividade em uma factoring, dominar esse cálculo é indispensável para a saúde do seu negócio.

No entanto, realizar esses cálculos e análises de risco manualmente pode abrir margem para erros caros e perda de agilidade. É aqui que a tecnologia se torna sua maior aliada.

A Decisão Sistemas oferece soluções completas e especializadas, como o sistema para securitizadora DISECURIT e o sistema para factoring DIFACT. Com nossos programas, você ganha precisão na formação de preço e mais segurança na tomada de decisão.

Quer profissionalizar a gestão do desconto na sua operação? Conheça as soluções da Decisão Sistemas e otimize seus resultados!

Artigos relacionados

guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x